A designer

Que bom que você quis saber um pouco mais da designer por trás desses Grafismos todos!

O texto é longo, mas recheado de cores, texturas, luz, sombra, moda, comportamento… Vida. Sempre convivi com a arte através da minha avó. Dona Rachel era uma amante das artes (tipo todas) e estudante de história da arte. A herança que ela me deu em vida, (palavras dela, ao me entregar o presente) são as suas coleções de livros de história da arte. Três escritos e encadernados por ela mesma sobre o assunto. E eu era a companheira dela para ir à ballets no municipal, exposições e peças de teatro no CCBB e na casa França-Brasil, cinemas fora de circuito… Eram nossos melhores momentos, com direito a chá na colombo.
designer estuda história da arte
Desde bem nova, acho que com 8 anos, comecei a frequentar as aulas de arte do Parque Lage, técnicas de pintura com tinta acrílica, uso de outros materiais, desenho. Quando adolescente tive aulas de pintura a óleo com uma artista que eu adoro, Silvana Lage. E no semestre que fui morar nos Estados Unidos, cursei Fine arts e como técnica de aquarelas e nanquim, o ballet também acabou por se tornar outra grande paixão, hobby, e até profissão, pois também dou aulas para crianças e adolescentes. Escolhi (óbvio) a faculdade de desenho industrial para cursar e ingressei na PUC. Mas aquelas aulas de luz e sombra, modelo vivo, e fazer cubos e formas com papel não me animaram muito, pois eu já havia visto e executado aquilo tudo, preferi fazer ballet ao invés de faculdade. Com isso consegui uma ruptura em casa:

E acabei tendo que “me sustentar”, (na verdade tinha casa, comida e roupa lavada), mas tive que trabalhar, e fui eu para uma loja no shopping Rio Sul. Roupas lindas, caras e que vendiam bem. Eu vendia bem. Montava looks, juntava os acessórios e a pessoa levava tudo… Estava ganhando bem e aproveitando a vida. Deixei o ballet pra hobby mesmo, e a faculdade parada. A loja que trabalhei tinha workshops de tendências de moda eu estava amando essa vida Fashionista.

Mas a ficha caiu depois de 1 ano e meio, peguei o dinheiro que tinha juntado, fiz uma viagem e quando voltei, apliquei para uma bolsa na Faculdade da Cidade. Consegui mais de 50% de desconto e convenci a vovó a pagar a metade e eu pagaria pela outra metade, pois agora eu me sentia pronta para estudar.

Sem trabalho é ser estudante… Pagar metade? Oi?

Bora lá, durante os anos de faculdade, eu fazia lindas bijuterias para vender, junto com minha amiga Kiki. Era a CAK.

Foram meus golden years. Cursar Design Gráfico na Faculdade da Cidade em Ipanema.
Ganhei meu primeiro computador e apendi a mexer no corel e no photoshop!!! Fazíamos fotos ainda em filme, íamos para o laboratório, revelar e ampliar, depois tinha o laboratório de computadores, onde escaneava, jogava pro photoshop, inseria as tipologias por cima, fazia interferências gráficas com o corel, mandava imprimir, montava em pranchas com cola spray. Enfim, era um grande prazer fazer os trabalhos.

Em quase todas as matérias, os meus projetos eram em cima da CAK, fazia logo, material de papelaria, tínhamos um estande projetado para Babilônia feira hype, embalagens, mostruários, produção fotográfica com modelos e amigas, os fotógrafos também amigos.

Me formei com CR (coeficiente de rendimento) acima de 8 e no tempo de 4 anos. Na faculdade fiz meus melhores amigos, que estão comigo até hoje, conheci meu marido (estamos juntos até hoje também! rsrs) e me formei grávida do meu único filho até o momento.

Ao finalizar a faculdade grávida, pensei… Emprego?… Não vai rolar. Preciso empreender. Assim fiz um curso de webdesign enquanto o Gustavo não nascia. Eram 3 horas por dia, por 3 meses. E o barrigão lá. Mas, a internet seria o futuro no planeta e eu tinha isso muito claro na minha cabeça.

Bom, nasce um filho e vira a vida da gente do avesso. Eu achava que iria amamentar, colocar o bebê no berço, sentar ao computador, trabalhar… Marcar reuniões e deixar a criança com a minha sogra por aquelas horas, voltar e tomar meu banho… hahahahaha, quem é mãe está morrendo de rir da minha cara agora, não é mesmo?

Nada disso filha, você não vai conseguir nem tomar banho.
E lembra que você gostava de passar hidratante depois do banho? Linda lembrança. Se apegue a ela.

Depois dos primeiros meses e me acostumando a essa nova vida, comecei a organizar meu tempo para buscar emprego e voltar ao mercado de trabalho, mas meu marido recebeu uma proposta de trabalho que seria muito boa pra nós fora da cidade grande e fomos nós pra a pacata Miguel Pereira.

E meus sonhos profissionais me acenavam como uma miss: bye bye, farewell….

Na época a internet era discada, mas em Miguel Pereira não apenas discada, ela era interurbana! Tinha que ligar pra Vassouras pra conectar! Então, meia-noite era horário de conectar. Checar e mails e fazer alguma coisa. Difícil, né?

Eureca! Bijuteria não precisa de internet. Voltei a fazer bijoux e ia com o Gustavo a tiracolo colocar em lojas, lógico, com um catálogo produzido, com fotos com preços, com coleção desenvolvida, tudo que envolvia uma pequena empresa.
Nessa época fiz uma pós-graduação na UVA (Universidade Veiga de Almeida) de moda. Era um MBA em produção de moda. Fizemos o site das bijoux e mandamos peças pra Itália, Austrália, França, Inglaterra…
Usávamos o exporta fácil, um programa dos correios. E claro, também voltamos a fazer feiras.

Mas, nunca formalizamos como empresa. Era muita burocracia… A gente tinha um registro de artesão apenas, e entregávamos a mercadoria consignada apenas com uma listagem. Não tinha cheque caução e nem nota fiscal… Ou seja, CANO! Essas coisas da vida, um cano, junto com uma mudança de uma feira que havia saído do MAM para o Barra shopping. Foi um fracasso. Pra tudo ficar ótimo, roubaram o meu carro, que lógico estava sem seguro….

Se morre aí, filha….

E aqui, se liga: nessa fase inferno astral, o que aparece? Um emprego. Se materializa como uma saída única, uma corda que vai içar você de dentro daquele poço frio, úmido e escuro. Me agarrei nessa corda e matei minha empresa amada, a CAK.

O emprego era terrível: recepcionista de evento, de terno preto, salto alto, maquiagem e cabelo bem escovado, sorrisos e encaminha o cliente ao corretor de imóveis nos lançamentos imobiliários da Barra da Tijuca. Confesso que morria de vergonha de encontrar conhecidos, mas por 2 anos fiz isso e paguei minhas dívidas. Olho pra trás e só vejo que fui muito forte e fiz o que eu tinha que fazer. No regrets, pelo menos tento não ter.

Me organizei e consegui um trabalho na área de marketing e design de uma empresa de barcos, veleiros. Tinha a parte de aluguel dos barcos, vendas e também a parte de reparos e vendas de equipamentos. A empresa fazia uns 4 eventos por ano. Eventos grandes como o Boat Show e o Beneteau Day. Os clientes eram em sua maioria proprietários dos veleiros da marca Beneteau tudo lá era muito elegante. Veleiros Franceses! Um life style de aventura náutica muito chic. Lá eu era responsável por todo o marketing. Eram impressos, site, estandes dos eventos, conceito, montagem, contratações, etc… Foram 3 anos com carteira assinada, mas, na crise de 2009, eu fui mandada pra trabalhar de casa.

Foi bom pra mim, pois os mantive e consegui fazer novos clientes também.  Nessa nova fase, criei a Grafismos Web, e fiz um MEI (microempreendedor individual) para atuar na área que estudei pra ser… Designer gráfica e web.

Mas esse bichinho que nos inquieta… Fui a um evento em Sampa, o Path Festival, vi umas palestras tão inspiradoras: sobre fazer as coisas com propósito, sobre mudar o que está em volta de você, com pessoas que fizeram diferença no mundo... E quis ser também uma pessoa a fazer a diferença! Voltei pra minha pacata cidade de Miguel Pereira querendo revolucionar a vida da cidade e com umas amigas criamos o Coletivo Rosas, que com uma pegada feminista, tem o propósito de ressignificar espaços públicos e promover a cultura da cidade, além de trazer de volta a linda identidade da cidade que ficou no glamour do passado: a Cidade das Rosas.

Com o coletivo, realizamos no ano de 2016, três eventos massas de OCUPAPOEIRÃO. Ai que maneiro, fazer o poeirão! Com a cara e a coragem. Eventos lindos, com dança, música, exposição, feira orgânica… numa área que só tem poeira! Além desse, trouxemos o projeto O Retorno das Rosas, mas esse não vingou… ainda… É um projeto ambicioso e caro, mas ainda vou concluir! Consiste em plantar 1000 mudas de rosas ao longo dos trilhos do trem de Miguel Pereira. E também escrever um livro baseado na história oral com relatos dos moradores e veranistas sobre a Cidade das Rosas, isso tudo com intenção de resgatar a identidade poética e linda dessa cidade.

O Retorno das rosas para Miguel Pereira from Coletivo Rosas on Vimeo.

Esse ano de 2017, percebi que essas propostas são lindas e me movem. Viver na precariedade, eu não quero mais. Isso de starving artist, não combina comigo.

Entrei em novo processo de mudança, primeiro fiz um coaching de 10 sessões com a querida Isabel Lemgruber, que me fez ver que eu preciso me organizar e ter metas e segui-las… Então, seguindo essas metas eu achei o Decola Lab, da musa Rafa Cappai, que está me virando aqui a cabeça.
Pra você ver, estou até escrevendo... e sobre mim!

Grafismos vai ser um negócio com todos esses ingredientes que eu tenho, com todo o meu mojo. Com propósito, com arte, com significado, com carinho, com atendimento, onde os clientes são meus amigos e fãs.

Afinal O que eu faço?

Eu coloco um olhar artístico e muito profissional em qualquer projeto.
Eu junto a tecnologia com o craft. O impresso com a colagem. 
O intangível no produto que é entregue.